Brasil 1958

Depois do trauma de 50 e a campanha apenas razoável de 54 o Brasil chegava à Suécia com muito a provar. Ainda nas eliminatórias o Brasil sofreu para passar pelo Peru e quando chegou à Copa teria que enfrentar um grupo muito complicado com a Áustria e as poderosas Inglaterra e União Soviética.

A estreia foi contra a Seleção Austríaca e a partida foi relativamente tranquila, apensar de segurar o empate por quase todo o primeiro tempo, a Áustria não conseguiu fazer frente para os brasileiros que venceram por 3 a 0.

No segundo jogo, contra a Inglaterra, as coisas começaram a complicar. Os dois goleiros tiveram ótima atuação e conseguiram superar os ataques, construindo assim o primeiro 0 a 0 da História das Copas.

Com a baixa produção do ataque brasileiro o técnico brasileiro Vicente Feola buscava alternativa para a próxima partida até que em uma conversa informal com os jornalistas Arnaldo Nogueira e Luiz Carlos Barreto e o lateral Nilton Santos surgiu a ideia de colocar no time um certo ponta direita de pernas tortas e um jovem garoto de apenas 17 anos. Garrincha e Pele entraram no time para não sair mais e ajudaram o Brasil a vencer a União Soviética por 2 a 0.

O Brasil se classificou em primeiro lugar e nas quartas enfrentou a Seleção do País de Gales. O time britânico tinha vários desfalques no ataque o que o forçou a se postar na defesa. Mesmo com a intensa artilharia do ataque brasileira o jogo permaneceu amarado e sem gols até o meio do segundo tempo quando o jovem Pele pegou uma bola dentro da área e de virada colocou no canto do goleiro galês. Com esse gol Pele colocou o Brasil nas semifinais e ainda se tornou o jogador mais novo a marcar em Copas (marca que permaneceu até o Mundial de 82).

 O adversário da semifinal era o oposto do anterior, a França possuía o melhor ataque e o artilheiro da competição (Just Fontaine). Por outro lado, o Brasil ainda não havia sofrido nenhum gol até então. O jogo que prometia ser muito disputado viu o seu primeiro gol logo aos 2 minutos de jogo quando o atacante Vavá abriu o placar para o Brasil. Logo na sequência a França empatou, mas daí em diante o Brasil tomou conta da partida fazendo quatro gols na sequência. A França ainda diminuiu, contudo, a vitória por 5 a 2 e a vaga para a final já estavam garantidas.

A grande final foi contra a dona da casa e a primeira disputa foi sobre o direito de usar o uniforme principal, já que as duas equipes usavam uniformes praticamente idênticos. Em um sorteio ficou definido que o Brasil teria que usar um uniforme alternativo, o que preocupou o técnico Feola, pois isso poderia afetar o moral da equipe. Para solucionar o problema a comissão técnica conseguiu improvisar camisas azuis, bordando os escudos e os números em cima da hora, e Feola disse aos jogadores que eles seriam campeões, pois entrariam em campo vestindo o manto de Nossa Senhora Aparecia. A estratégia funcionou e mesmo com um gol sueco logo no início da partida o Brasil conseguiu a virada repetindo o 5 a 2 da semifinal.

Com essa vitória indiscutível o Brasil conquistou o seu primeiro título de Campeão Mundial e entrou definitivamente para a História como uma das maiores Seleções do mundo.

Uma das maiores curiosidade sobre o Brasil nessa Copa fica por conta da numeração dos atletas que estava completamente descaracterizada. Até hoje não se sabe ao certo o motivo da confusão, a versão mais comum é de que a Confederação Brasileira, não mandou a relação dos jogadores a tempo à FIFA e esta tratou de numerar os jogadores por conta própria, outra versão defendida por Zagalo é que a FIFA adotou a numeração presente na bagagem dos jogadores na hora do desembarque. O fato é que quase todos jogaram com a numeração trocada, como Garricha que jogou com a 11 no lugar da 7 e do próprio Zagalo que jogou com a 7 no lugar da 11, mas o mais estranho foi o goleiro Gilmar que teve que improvisar um número 3 na sua camisa. Ainda assim, os “Deuses do Futebol” garantiram que o Rei PELE estreasse em Copas com 10.

Na Copa o Brasil voltou a usar a camisa amarela com detalhes em verde, mantendo o calção azul e as meias brancas. Esse uniforme foi usado nas 5 primeiras partidas.

PRIMEIRO UNIFORME

Contudo, na grande final o Brasil usou camisas azuis pela primeira vez em Copas e com a conquista estabeleceu definitivamente esta como sua camisa reserva. O uniforme ainda era completado por calções e meias brancas.

SEGUNDO UNIFORME

O goleiro Gilmar usou um uniforme escuro em todas as partidas, a camisa era azul, o calção preto e as meias cinzas. Curiosamente ele atuou com a camisa 3 nessa Copa e é possível notar que a numeração foi improvisada com um tecido por cima da camisa original.

UNIFORME DE GOLEIRO

Alemanha 1954

O país estava destroçado e a população ainda sofria as consequências da recém acabada II Guerra Mundial, mas isso não impediu a Alemanha de formar uma equipe competitiva para disputar o Mundial de 54. Se não era colocada entre as favoritas ao título, não havia dúvidas de que poderia fazer um bom papel e ter um resultado digno nesta Copa. No entanto o mundo não estava preparado para o que aconteceria na Suíça.

Tudo começou nas eliminatórias, os Alemães caíram no grupo 1 junto com Noruega e Sarre (região da Alemanha que esteve sobre protetorado Frances após a II Guerra). Os germânicos passaram por cima de seus adversários vencendo 3 das 4 partidas disputadas e empatando a outra, marcando 12 e sofrendo apenas 3.

Na Copa as coisas não seriam tão fáceis principalmente porque os Alemães não foram escolhidos como cabeça de chave de nenhum grupo. E mesmo ficando no mesmo grupo da Hungria, principal candidata ao título, eles tiveram sorte e os outros integrantes do grupo eram a fraca Seleção Turca e a inexperiente equipe da Coreia do Sul.

A estreia foi contra a Turquia (cabeça de chave do grupo) que sai na frente, os alemães buscaram a virada e venceram por 4 a 1. O próximo adversário seria o outro cabeça de chave do grupo, a Hungria. Os alemães entraram com o time reserva, considerando uma provável derrota e considerando uma eventual partida desempate novamente contra a Turquia. O resultado foi um massacre de 8 a 3. Com os jogadores descansados os alemães aplicaram um a nova goleada sobre os turcos se classificando para a próxima fase.

Mesmo com a fácil classificação o técnico alemão Sepp Herberger foi duramente criticado pelo pragmatismo e falta de poder ofensivo do time. Por isso o teste de fogo seria nas oitavas contra a Iugoslávia que era vista como favorita. A Alemanha abriu o placar em um gol contra do zagueiro Horvat, depois disso os iugoslavos partiram para o ataque e perderam várias chances de empatar, no final do jogo os germânicos ainda conseguiram ampliar em um contra-ataque.

Na Semifinal o adversário, decidido em sorteio, foi a Áustria e depois de um 1º tempo equilibrado os alemães atropelaram no 2º vencendo a partida por 6 a 1. Com essa goleada surpreendente eles estavam na final, para novamente enfrentarem a Hungria.

Havia sido uma linda campanha da Alemanha até ali, mas ninguém em sã consciência acreditaria que a Alemanha teria chances contra a Hungria, mesmo que esta estivesse exaurida pelas partidas contra Brasil e Uruguai e com seu principal jogador, Ferenc Puskás lesionado.

Como era de costume a Hungria começou o jogo com uma intensidade absurda e antes dos 10 min do 1º tempo já vencia por 2 a 0, contudo os alemães também mostraram muito intensidade neste início frenético e empataram antes dos 20 min. Depois disso o ritmo do jogo diminuiu e somente aos 39 min do 2º tempo os alemães marcaram o terceiro gol. Decretando a mais surpreendente e épica virada já registrada em uma final de Copa do Mundo, não atoa esta partida passou a ser chamada de “O Milagre de Berna” dada a incredulidade de todos os que a acompanhavam. A Alemanha ganhava seu primeiro Titulo Mundial e se firmava como uma das maiores Seleções do Mundo.

O uniforme usado em seu primeiro título mundial mantinha as cores usadas nas Copas anteriores: camisa branca, calção e meias pretas (em homenagem a bandeira da Prússia). Mas este uniforme possuía uma gola mais simples e detalhes pretos nas mangas.

PRIMEIRO UNIFORME

Esse uniforme foi usado na primeira partida contra a Turquia, nos dois jogos contra a Hungria e na disputa contra a Iugoslávia.

Nesta Copa os alemães estrearam seu uniforme reserva: camisa verde calção branco e meias também verdes. Há duas explicações para a escolha dessas cores, uma seria simplesmente porque essas são as cores de um campo de futebol e a outra essa escolha seria uma homenagem a Irlanda, primeira Seleção a aceitar realizar um amistoso contra os alemães depois da II Guerra.

 SEGUNDO UNIFORME

Esse uniforme foi usado na semifinal contra a Áustria.

Na segunda partida contra a Turquia eles entraram em campo com uma variação deste uniforme com o calção e as meias pretas.

UNIFORME ALTERNATIVO

Os goleiro Toni Turek e Heinz Kwiatkowski usaram o até então tradicional uniforme de goleiro alemão todo negro. A diferença é que a de Turek possuía um zíper na gola (destelhe pouco usual em camisas de futebol).

UNIFORME DE GOLEIRO

Já a de Kwiatkowski, que atuou apenas na primeira partida contra a Hungria, possuía uma gola mais simples e branca.

SEGUNDO UNIFORME DE GOLEIRO

Uruguai 1950

Finalmente o Uruguai voltava a um Copa para defender o título ganho em 1930. Mas em 50 a celeste olímpica (apelido dado em referência ao bicampeonato olímpico, 1924 e 1928) não tinha mais o mesmo status de outrora.

Ainda assim, desde o início tudo parecia estar a favor dos uruguaios. Graças ao sorteio eles caíram no grupo 4, junto com Escócia, Turquia e a fraca seleção da Bolívia. Os dois primeiros desistiram de disputar o mundial e suas vagas foram oferecidas para França e Portugal que também recusaram.

Restando apenas duas seleções no grupo, um único jogo decidiria a equipe que passaria para a próxima fase. Os bolivianos não tiveram a menor chance, o Uruguai venceu aplicando uma das maiores goleadas da história das Copas, 8 a 0.

No quadrangular final, os uruguaios iniciaram apenas com um empate contra os espanhóis (2 a 2). Em seguida foi a vez de enfrentar a Suécia e venceu por 3 a 2. A última partida era contra o Brasil que vinda de duas goleadas contra esses mesmo adversários.

Só a vitória interessava aos uruguaios, uma vez que o empate daria o título aos brasileiros. E o jogo parecia perdido quando o Brasil abriu o placar, mas a celeste olímpica conseguiu buscar forças para reagir e virar a partida. Com a vitória por 2 a 1 o Uruguai se sagrou bicampeão Mundial em um dos resultados mais inesperados da História das Copas do Mundo. Esse jogo é lembrado com um dos maiores momentos do futebol uruguaio e recebeu o apelido de Maracanazo.

O uniforme do Uruguai era composto pela tradicional camisa azul celeste com meias e calções negros. A grande novidade desse mundial em relação aos uniformes era a introdução da numeração nas camisas, (que na verdade já eram bem comuns na época). E os uruguaios não fizeram por menos, colocando números vermelhos em suas camisa, combinação um pouco estranha, mas que evidentemente trouxe muita sorte.

PRIMEIRO UNIFORME

Esse uniforme foi usado nas 4 partidas do Uruguai no mundial. Já o goleiro Máspoli usou um uniforme todo negro durante o mundial.

UNIFORME DE GOLEIRO

Itália 1938

Assim como na Copa anterior, italianos e alemães aproveitaram o evento esportivo para fazerem propaganda política, uma verdadeira mancha na historia do esporte. Fora isso o futebol apresentado foi melhor, a Itália era a atual campeã mundial e olímpica, e tinha uma equipe mais forte que a do mundial passado.

O formato da Copa de 1938 foi igual ao da Copa anterior, jogos eliminatório, desde a primeira fase, até a final. Os Italianos fizeram valer seu favoritismo vencendo todos os adversários (Noruega, França, Brasil e Hungria) conquistando o, inédito, bicampeonato .

O uniforme principal usado pela Seleção Italiana foi praticamente ao de 34, mas com um tom de azul um pouco diferente.

PRIMEIRO UNIFORME

Italia-1 38

Esse uniforme foi usado em 3 partidas, contra Noruega, Brasil e Hungria.

Contudo na partida contra a França, como ambos usavam camisas azuis e canções brancos, uma das equipes deveria usar um uniforme alternativo. Os italianos aproveitaram para usar um uniforme todo preto, isso porque, a camisa preta era um símbolo do fascismo. Antes do inicio da partida os jogadores italianos fizeram a saudação fascista para o próprio Mussolini, que estava presente, e desagradando o público do estádio Olympiquede Colombes, Paris.

SEGUNDO UNIFORME

Italia-2 38

O goleiro Oliviere usou um uniforme todo preto em três partidas contra Noruega, Brasil e Hungria.

PRIMEIRO UNIFORME DE GOLEIRO

Italia-G1 38

Já na partida contra a Franco, como o time todo usou uniforme preto, o goleiro usou camisa branca.

SEGUNDO UNIFORME DE GOLEIRO

Italia-G2 38

Itália 1934

A Copa de 1934 misturou esporte e política , como nunca antes na historia do esporte. O ditador italiano Benito Mussolini, enxergou nesse evento uma grande oportunidade de fazer propaganda do regime fascista, por isso já em 1929 iniciou uma campanha para sediar a segunda Copa do Mundo.

Não satisfeito em sediar a Copa, o Duce (como Mussolini era conhecido) decidiu usar toda a sua influencia para “garantir” que a Itália fosse a grande Campeã. A influencia do ditador foi tamanha, que ele escolheu e “conversou” com todos os juízes que apitariam as partidas dos italianos. Por coincidência, ou não, todas as decisões polêmicas dos árbitros foram tomadas a favor da Seleção Italiana. A “armação” foi tão evidente que alguns juízes foram expulso de suas federações assim que a Copa acabou.

Pela primeira vez a Copa foi disputada em um sistema de mata-mata desde a primeira etapa, por isso qualquer derrota eliminaria a equipe, mas o italianos, de uma forma ou de outra, conseguiram passar por todos os adversários (Estados Unidos, Espanha, Áustria e Tchecoslováquia) e conquistaram seu primeiro titulo.

O uniforme principal da Seleção da Itália é o mesmo desde suas primeiras edições. A cor azul da camisa foi escolhida (mesmo não aparecendo na bandeira nacional, como homenagem à Casa Real italiana de Savoia, que reinou no país até 1946. Por esse motivo o time passou a ser chamado de Squadra Azzurra (esquadrão azul).

UNIFORME PRINCIPAL

Italia-1 34

Esse uniforme foi usado nas cinco partidas disputadas pelos italianos nesse mundial, quatro vitórias e um empate contra a Espanha, que forçou um jogo desempate.

O uniforme de goleiro usado pela Itália nesse mundial era todo preto, mas trazia um cinto no calção e o distintivo no peito.

UNIFORME DE GOLEIRO

Italia-G 34

O goleiro Giampiero Combi disputou as cinco partidas da Copa usando esse uniforme e tomou apenas 3 gols.

Uruguai 1930

Apesar de alguns países europeus se candidatarem para receber o primeiro mundial, a FIFA escolheu o Uruguai como sede, e um dos principais motivos foi a comemoração do centenário da independência uruguaia. Pelo mesmo motivo o principal estádio da Copa, construído especialmente para o evento, foi batizado com o nome de Centenário.
Além disso, o Uruguai era na época o bicampeão olímpico (1924 e 1928), por esse motivo e por causa da cor de sua camisa sua seleção passou a ser conhecido como a “Celeste Olímpica”.
Os donos da casa foram campeões vencendo apenas 4 partidas e o uniforme usado foi o mesmo em todos os jogos, a tradicional camisa azul celeste com calção e meias pretas. Na época eram usadas camisas pesadas de algodão e ainda não existiam os números nas costas, que apareceram pela primeira vez, em mundiais, na Copa de 1950 no Brasil.

PRIMEIRO UNIFORME

Uruguai-1 30

Esse uniforme foi usado nas 4 vitorias do Uruguai: contra Peru, Romênia, Iugoslávia e na final contra a Argentina.

É especialmente difícil retratar os uniformes de goleiro das primeiras Copas,  principalmente por existirem poucas fotos e obviamente todas em preto e branco, por isso posso apenas fazer suposições sobre as cores.
Contudo todas as referencias dessa época retratam o goleiro uruguaio, Ballesteros, usando camisa branca.

UNIFORME DE GOLEIRO

Uruguai-G 30

Posso dizer que, ao menos na final, Ballesteros entrou em campo com esse uniforme.