A COPA:
A primeira copa do mundo foi a concretização de um sonho que perecia impossível. Esse sonho teve início em 21 de maio de 1904 em Paris, dia em que foi fundada a FIFA, contudo o sonho teve que ser adiado, especialmente por causa da Primeira Guerra Mundial.
No final da década de 20 a Europa sofria intensamente com os efeitos da guerra e da grande crise econômica que assolava o continente. Ainda assim Espanha, Itália, Holanda, Hungria e Suécia se candidataram à sediar o primeiro mundial. Além dos europeus os uruguaios, que estavam com grande prestígio pois eram os atuais bicampeões olímpicos, também se candidatam.
No dia da convenção onde seria escolhido o país sede, os candidatos europeus abdicaram e se uniram para apoiar a candidatura italiana, mesmo assim, os dirigentes da FIFA, principalmente o presidente Jules Rimet, encantados com a proposta dos uruguaios decidiram por este país. Entre outras vantagem, a propostas previa a construção de um estádio novo especialmente para a Copa, que receberia o nome de centenário em homenagem à comemoração de 100 anos da independência uruguaia, esse fato, em si, também contribuiu bastante para sua escolha como sede.
Os italianos indignados com a escolha da FIFA anunciaram que não participariam do mundial, e as outras 16 equipes europeias seguiram o mesmo caminho, ameaçando a realização da Copa. Um dirigente espanhol chegou, a dizer que a viagem era impraticável devido à distância: demorava-se cerca de duas semanas só na viagem de ida. Neste momento o presidente da FIFA, Jules Rimet, foi decisivo, sendo francês, usou sua influência para convencer a confederação francesa e o vice-presidente Rodolphe Seeldrayers que era belga, fez o mesmo em seu país. Além disso, Jules Rimet conversou pessoalmente com o Rei Carol II, da Romênia, que era fanático por esporte e escolheu pessoalmente os atletas que iriam ao mundial. Em seguida os iugoslavos, por uma questão de rivalidade com os romenos, também se inscreveram para a Copa.
Assim com 4 equipe europeias, duas da América do Norte e 7 sul-americanas, o primeiro mundial, único onde não houve eliminatórias, estava garantido.
Quando a Copa teve início ficou claro que, sem os grandes times europeus da época e com o Brasil enfraquecido por só ter atletas do Rio de Janeiro, as seleções da Argentina e do Uruguai eram muito superiores aos demais, prova disso foi que ambos venceram seus adversários por 6 a 1 nas semifinais. A partida final foi um grande show, cheio de reviravoltas, como poucas na história das Copas. O primeiro tempo foi jogado com a bola da Argentina, que venceu por 2 a 1, contudo no segundo tempo a bola usada foi uruguaia e isso parece ter feito a diferença, pois os uruguaios fizeram 3 gols e venceram por 4 a 2, sagrando-se, assim, os primeiros campeões mundiais.
O BRASIL NA COPA:
O Brasil foi vítima de uma intensa rivalidade interna, entre dirigentes paulistas e cariocas. Os paulistas cobravam dos dirigentes da CBD ( atual CBF) sediada no Rio de Janeiro, a presença de dirigentes de São Paulo na entidade. Contudo não foram atendidos e com isso, surgiram rumores de que os atletas paulistas seriam “proibidos” de atender à convocação da CBD para a Copa. Por via das dúvidas a CBD fez uma lista apenas com jogadores que atuavam no Rio de Janeiro. Dessa forma, por todos esses motivos e especialmente pela falta de comunicação e a ilógica rivalidade regional que se arrastava por anos, a Seleção Brasileira ficou, não apenas sem jogadores paulista, mas sem jogadores de qualquer outra parte do Brasil que não fosse o Rio.
Enfraquecida, sem jogadores como Friedenreich e Feitiço, a Seleção Brasileira não foi feliz, e estreio em mundiais perdendo por 2 a 1 para a Iugoslávia. Por causa do regulamento do torneiro essa derrota praticamente eliminava o Brasil de qualquer aspiração futura. A enorme rivalidade criada entre paulistas e cariocas era tanta que os paulista foram as ruas comemorar a derrota, e provável eliminação, dos “cariocas”.
Em sua segunda partida os brasileiros conquistaram a primeira vitória da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, certamente eles ainda não faziam ideia de que esta se tornaria a seleção mais vitoriosa da historia dos mundiais. A vitória de 4 a 0 foi contra a fraca seleção boliviana que terminou o mundial sem marcar um único gol e tomando 8.
OS UNIFORMES:
Em 1930 os uniformes eram confeccionados com grossas fibras de algodão, por isso as camisas eram pesadas e ficavam encharcadas quando molhadas. Nessa época os jogadores ainda não usavam números nas costas, fato que só veio acontecer, em Copas, em 1950 no Brasil.
Algumas seleções entraram em campo com uniforme semelhantes aos usados atualmente, foram os casos de Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Iugoslávia, França, Paraguai e Bélgica enquanto Brasil, Chile, Peru, Bolívia, México e Romênia estrearam em Copas com uniformes completamente diferentes dos atuais.
O fato mais interessantes ocorreu na partida entre Brasil e Bolívia, na época as duas equipes usavam camisas brancas com calções e meias escuras, mesmo assim o árbitro permitiu que a partida começasse com as equipes usando esses mesmos uniformes, contudo depois de algum tempo o juiz paralisou o jogo e fez um sorteio para definir quem teria de mudar de uniforme, perdedores no sorteio e sem uniforme reserva, os bolivianos tiveram que pegaram emprestado as camisas da Seleção Uruguaia e terminaram a partida jogando de azul celeste.
A Seleção Boliviana também foi responsável por outro fato curioso nesta Copa, em sua estreia contra a Iugoslávia os bolivianos entraram em campo com letras bordadas em suas camisas, que juntas formavam a frase “VIVA URUGUAY” em uma tentativa bizarra de ganhar o apoio da torcida local, o apelo funcionou, mas mesmo com a torcida à seu favor os bolivianos foram derrotados por 4 a 0.
CURIOSIDADES:
Multiuso – O técnico da Seleção da Bolívia Ulises Saucedo, também atuou como árbitro durante a Copa. Ele apitou o jogo entre Argentina e México (6 a 3) e marcou 5 pênaltis nesta mesma partida, alguns bem discutíveis, e para piorar, na hora da cobrança o técnico-árbitro errou na contagem dos passos do local da cobrança (que na época ainda não era marcada no gramado).
Para poucos – Nesse copa foi registrado o menor público em uma partida de Copa do Mundo, míseros 300 espectadores acompanharam a partida entre Romênia e Peru (3 a 1).
El Manco – O atacante uruguaio Hector Castro, conhecido como “El Manco”, não tinha a mão direita, contudo isso não o impediu de disputar a Copa por sua seleção, ele ainda marcou um gol na final e até hoje é o único jogador portador de deficiência a participar de uma Copa.
A primeira expulsão – Ainda não era usado o cartão vermelho, que só foi criado em 1968, o que não significava que os jogadores não poderiam ser excluídos do jogo. Isso ocorreu já no primeiro mundial, na partida entre Romênia e Peru, o jogador peruano Galindo foi expulso aos 10 minutos do segundo tempo, pelo árbitro Albert Warken. O mais curioso é que ele atuou normalmente na partida seguinte contra o Uruguai.
JOGOS:







